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A importância
da lavagem de mãos foi descoberta pelo cirurgião
húngaro Ignacz Philipp Semmelweiss, em meados
do século XIX. Ele observou que a clínica
obstétrica chefiada por médicos auxiliados
por estudantes de medicina, tinha uma taxa de morte
por infecções muito maior do que aquela
dirigida por parteiras, no mesmo hospital. Descobriu
que essas “substâncias purulentas“
eram transmitidas para as parturientes pelas mãos
da equipe, que vinha diretamente da ala de necropsia
para examiná-las. Instituiu então a lavagem
de mãos, alcançando grande sucesso com
esta medida, assim como muitos inimigos também.
Hoje a lavagem
de mãos é considerada a medida isolada
que mais contribui para o Controle de Infecção
Hospitalar. As mãos de todos nós possuem
dois tipos de microorganismos associados.
A flora residente
que fica nas camadas mais internas da pele, é
mais difícil de remover e constituída
normalmente de microorganismos não patogênicos.
Para sua remoção é necessário
escovação e vigorosa limpeza com água
e sabão além da utilização
de anti-sépticos.
A flora transitória
que por sua vez fica nas camadas mais externas da pele
é facilmente removida através de uma boa
lavagem com água e sabão. Ela é
o foco principal quando lavamos as mãos, pois
transita facilmente entre objetos (maçanetas,
telefone, estetoscópio) e pacientes, tendo muitas
vezes as nossas mãos como veículo. Muitas
vezes esses microorganismos são os responsáveis
pelos surtos em hospitais, ou infecções
hospitalares em pacientes individuais.
Muitas ações
foram tomadas no sentido de minimizar as infecções
transmitidas através das mãos nos serviços
de saúde:
• Obrigatoriedade
da lavagem de mãos a cada vez que o paciente
for manipulado.
• Utilização de sabonete líquido
obrigatório, pois os sabonetes em barra podem
abrigar estes microorganismos.
• Obrigatoriedade do uso de toalhas de papel não
reciclado para enxugar as mãos nesses serviços.
• Utilização de luvas para procedimentos
críticos e semicríticos: lavando as mãos
antes de calçá-las e depois de retirá-las.
• Obrigatoriedade do uso de lixeiras com acionamento
por pedal.
• Obrigatoriedade do uso de torneiras que impeçam
o contato manual com o registro, como por acionamento
elétrico, por fotocélula, ou pedal e outras.
Com a implementação
das Precauções Padrão na década
de 80, o uso das luvas tornou-se um grande aliado no
controle de infecções. Porém, para
que se torne medida efetiva de controle de infecções
o profissional deverá estar atento para não
tocar superfícies não protegidas por barreira,
bem como não tocar partes de seu próprio
corpo. A lavagem de mãos associada ao uso de
luvas é extremamente importante por vários
aspectos. Quando se faz um procedimento cirúrgico
acima de duas horas, a umidade que se forma no interior
das luvas, na área em contato com as mãos,
facilita a proliferação dos microorganismos
que aí estão. Quanto melhor a higiene
de mãos realizada antes de se colocar as luvas,
menor a população de microorganismos que
iremos encontrar. Daí a recomendação
de uma limpeza vigorosa associada a um sabonete líquido
com anti-séptico de efeito residual, quando se
trata de cirurgias.
Da mesma forma a lavagem de mãos
é indicada depois que se retiram as luvas. Tem
por finalidade remover os microorganismos que eventualmente
tenham se multiplicado sob a mesma, no caso de uma contaminação
acidental durante a sua retirada, ou ainda durante o
procedimento - cirúrgico ou não.
Os equipamentos de proteção
individual, como luvas e máscaras são
extremamente importantes na minimização
de riscos ocupacionais, porém são incapazes
de removê-los de forma definitiva. A educação
continuada em conjunto com o seu uso são os grandes
aliados da prevenção de riscos biológicos
nos ambientes de trabalho dos serviços de saúde.
Liliana
Liliana
Junqueira de P. Donatelli
Consultora de Biossegurança em Saúde
Bióloga CRB 18469/01-D
Mestranda em Saúde Coletiva FMB-UNESP
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