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As luvas vêm
sendo utilizadas há muito tempo nos ambientes
cirúrgicos e com a instituição
das Precauções Padrão, tiveram
o seu uso generalizado nos mais diferentes procedimentos
nos serviços de saúde.
A utilização
das luvas como Equipamentos de Proteção
Individual é hoje inquestionável, com
farta literatura científica embasando a sua importância.
As pesquisas vêm discutindo a sua qualidade como
barreira de proteção contra os patógenos,
e dentre as diferentes situações de uso.
Alguns estudos
avaliaram a incidência de perfurações
em luvas em procedimentos cirúrgicos, encontrando
números bastante significativos. Em Araraquara,
Queiroz e colaboradores analisaram 180 luvas que foram
utilizadas em procedimentos cirúrgicos odontológicos,
tendo encontrado pelo menos uma perfuração
em 35 delas (19,4%). Outros pesquisadores avaliando
perfurações de luvas em procedimentos
cirúrgicos médicos, obtiveram resultados
semelhantes. Esses achados nos desafiam a procurar uma
maneira de proteger melhor os profissionais da saúde
nesses procedimentos. Queiroz sugere a ênfase
na melhoria da técnica cirúrgica especialmente
no momento da sutura, além da possibilidade de
se utilizar duas luvas , pelo menos na mão não
dominante onde se encontrou a maioria das perfurações
(60%).
O uso de dois pares
de luvas têm sido sugerido por vários autores
como maneira eficiente de minimizar riscos de contaminação
do profissional em determinadas cirurgias, como por
exemplo, as obstétricas, torácicas, ortopédicas
e de pacientes de alto risco. Quebbeman encontrou 51%
de contaminação das mãos de profissionais
com um só par de luvas enquanto que os profissionais
que utilizaram dois pares , somente 7% tinham as mãos
contaminadas. Chapman e Duff, estudando 67 conjuntos
de luvas duplas utilizadas em cirurgias obstétricas
encontraram 66 perfurações nas luvas externas
e 7 perfurações nas luvas internas.
Outras opções
para minimizar o risco foram sugeridas e testadas. Um
estudo da Universidade de Virgínia comparando
a resistência das luvas à perfuração
encontrou resistência similar entre as luvas mais
grossas e o conjunto de duas luvas sobrepostas. A vantagem
do duplo enluvamento é que existe uma segunda
barreira, no caso de uma perfuração menor.
Sendo assim autor sugere o seu uso. The American College
of Surgeons afirma que o duplo enluvamento diminui drasticamente
o número de potenciais exposições,
além disso o paciente estaria mais protegido
de contaminação na ferida. Este mesmo
instituto preconiza como uma segunda e distante opção
a troca de luvas cirúrgicas a cada duas horas.
Outro achado importante
especialmente para os dentistas é que a barreira
com luvas simples é vencida seis vezes mais rápido
do que em luvas duplas quando se utiliza o metil metacrilato
não polimerizado.
Qual seria o inconveniente
do uso de duas luvas? O custo adicional pode ser considerado
pequeno com o aumento da segurança em cirurgias
de maior ocorrência de perfurações.
Mas alguns profissionais temem a diminuição
da sensibilidade táctil e destreza nos movimentos.
Também foram realizados estudos neste sentido,
e descobriu-se que é uma questão de treino,
onde cérebro é capaz de adaptar-se, não
havendo diferenças significativas entre os grupos
de estudo.
As sugestões
dos autores para melhorar a habilidade com dois pares
de luvas são :
1- Perseverança no uso das luvas duplas
2- Procurar o melhor conjunto de tipo de luva para cada
profissional,
3- Utilizar o tamanho maior no par externo e tamanho
menor no interno
Desta forma os profissionais
de saúde que fazem cirurgias mais demoradas,
com maior possibilidade de punctura o em pacientes de
alto risco, devem considerar a possibilidade de utilizar
dois pares de luvas sobrepostos como método consistente
de diminuir risco à exposição a
patógenos.
Liliana
Liliana
Junqueira de P. Donatelli
Consultora de Biossegurança em Saúde
Bióloga CRB 18469/01-D
Mestranda em Saúde Coletiva FMB-UNESP
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