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As luvas fabricadas
com matéria-prima diferente do látex,
foram introduzidas nos serviços de saúde
como alternativas às luvas convencionais em resposta
ao crescente número de pessoas alérgicas
ao látex. Este inconveniente acomete tanto trabalhadores
da saúde como pacientes. As luvas alternativas
não tem sido utilizadas rotineiramente em procedimentos
cirúrgicos, pouco tem sido descrito a respeito
da efetividade destas luvas como barreira quando em
uso cirúrgico. Alguns trabalhos relatam similaridade
na barreira entre as luvas de látex e de nitrile
quando são utilizadas nos cuidados básicos
a pacientes, e em procedimentos cirúrgicos mais
simples. Vantagens e desvantagens vêm sendo descritas
por profissionais que utilizam as luvas de não-latex
rotineiramente.
Vantagens das luvas de não-látex
- Alternativa de barreira de proteção
às pessoas alérgicas ao látex
- A maioria dos materiais alternativos
demonstrou proteção satisfatória
às mãos, bem como pequenas evidências
de problemas associados ao seu uso em clínica.
- Quando acontece uma ruptura do
material da luva de não-látex, esta se
torna facilmente visível alertando o profissional
para a sua substituição.
Desvantagens das luvas de não-látex
- Luvas de não-látex
são aparentemente mais susceptíveis às
condições de uso. Um estudo que comparou
luvas de látex, e não látex após
as mesmas condições de uso cirúrgico,
encontrou uma diferença significativa no número
de furos (8,4% entre as de não látex contra
6% nas de látex).
- Categorias específicas
de profissionais da saúde também estão
associadas na maior quantidade de ruptura nas luvas
de não-latex. Os técnicos cirúrgicos
são os que mais apresentam rupturas em luvas
de não-látex, embora fiquem um tempo menor
as mesmas, comparando-se com outras categorias inclusive
os próprios cirurgiões. Em seguida aparecem
os médicos residentes em cirurgia.
- Situações cirúrgicas
específicas tendem a romper mais facilmente luvas
de não-látex: cirurgias ortopédicas,
cirurgias plásticas e procedimentos cardíacos.
De forma geral as luvas de não látex são
mais sensíveis à exposição
a materiais cortantes, e a situações que
exijam movimentos motores refinados.
veja
o quadro comparativo
Segurança para o Paciente
e Profissionais da Saúde
As luvas cirúrgicas estão
expostas a uma série de esforços físicos,
tais como torção, estiramento e tração,
bem como a exposição a fluidos orgânicos
ou químicos. Não é de se estranhar
que esta barreira seja comprometida. As luvas atuam
como barreiras para aquisição de infecções,
portanto as mudanças nas luvas e a monitorização
das suas rupturas por instrumentos cirúrgicos
e pérfuro-cortantes se torna imperativo. Luvas
com a qualidade de barreira comprometida, imperceptível
ao profissional, pode ser uma causa indireta de infecção
do sítio cirúrgico. Pesquisas têm
mostrado, que tanto as luvas de látex como as
de não-látex podem apresentam descontinuidade
de barreira, invisíveis a olho nu. As de não
látex mais difíceis de identificar ruptura
são as coloridas : azul, rosa ou verde.
Considerações do Ponto
de vista Econômico
As luvas que não são
produzidas com látex custam o dobro e às
vezes o triplo da de látex, tanto para a indústria
como para o consumidor final. A demanda por produtos
livre de látex terá que aumentar tremendamente
antes que o seu preço estabilize. Sendo assim
as instituições deverão avaliar
custos, antes de se comprometerem a fornecer um ambiente
totalmente livre de látex.
Guia Prático para uso de
luvas de não-látex em cirurgia geral
Luvas de não-látex
podem ser seguramente utilizadas como uma barreira alternativa,
embora continue inferior às luvas cirúrgicas
de látex. Baseado em suas vantagens e desvantagens
relatadas é recomendado que:
• Luvas de não-látex
devem ser trocadas imediatamente quando a barreira é
rompida;
• Profissionais da saúde
(residentes e técnicos em cirurgia) com menor
experiência podem estar sob maior risco de exposição
a patógenos transmitidos por sangue, devendo
assim receber treinamento adicional quando utilizarem
luvas de não-latex, pois elas se rompem facilmente
durante o uso;
• Profissionais da saúde
que trabalham em cirurgias ortopédicas, orais,
plásticas e cardíacas devem estar atentos
para troca freqüente de luvas, especialmente quando
a barreira for comprometida;
• Enfermeiras e cirurgiões
responsáveis pelo treinamento de residentes e
pessoal da central de esterilização devem
enfatizar a troca freqüente de luvas, particularmente
entre aqueles que estão em treinamento e início
de carreira.
Tendências Futuras no uso
de luvas cirúrgicas de não-látex
A qualidade de luvas cirúrgicas
livres de látex depende do material (nitrile,
neoprene ou isoprene), do seu modo de fabricação,
e o esforço a que é submetida durante
o uso clínico. As de neoprene novas são
comparáveis às de látex e oferecem
uma alternativa segura para pacientes e profissionais
alérgicos ao látex. Outras características
em luvas livres de látex como a presença
de pó, continuam sendo desprezadas,muito embora
já se saiba que a sua presença intensifica
os sintomas alérgicos.
Novas luvas livres de látex
estão permanentemente sendo desenvolvidas para
proporcionar uma barreira efetiva com uma boa relação
custo-benefício. A renovada ênfase na segurança
dos pacientes e dos profissionais de saúde impõem
novos desafios aos fabricantes. É necessário
que métodos inovadores desenvolvam novas luvas
com propriedades antimicrobianas para reduzir a contaminação
cruzada entre profissionais da saúde e pacientes.
Além disso, novos dispositivos de segurança,
como seringas com agulhas retráteis, utilizados
em conjunto com as luvas proporcionarão menores
possibilidades de punctura durante os procedimentos.
Estes desafios irão fomentar a fabricação
de produtos cada vez mais seguros, contribuindo para
a manutenção e qualidade das luvas livres
de látex.
Artigo traduzido e resumido do original:
“Advantages and Disadvantages of Non-latex Surgical
Gloves”- Business Brieffing: Global Surgery -2004,
de Denise M. Korniewicz, por Liliana Junqueira de Paiva
Donatelli. Comentários de Liliana Junqueira de
Paiva Donatelli.
Comentários:
É importante a fabricação
de luvas alternativas livres de látex, especialmente
considerando as pessoas, pacientes e profissionais alérgicos.
Embora como mostra a autora, existam produtos que mimetizam
o látex em qualidade, o preço é
muitas vezes maior. Devemos considerar também
o destino final destes insumos lembrando que o látex
é biodegradável. As alternativas livres
de látex ,de um modo geral, são derivados
do petróleo o que compromete o gerenciamento
de resíduos.
A busca por produtos cada
vez mais seguros para profissionais, pacientes e o ambiente
deve regular as ações dos profissionais,
administradores, e das industrias tendo a biossegurança
como fio condutor.
Liliana
Liliana
Junqueira de P. Donatelli
Consultora de Biossegurança em Saúde
Bióloga CRB 18469/01-D
Mestranda em Saúde Coletiva FMB-UNESP
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