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Historicamente as luvas
de látex foram utilizadas inicialmente, para
proteger as mãos dos profissionais dos agentes
químicos anti-sépticos utilizados entre
1870 e 1880 (veja o artigo “Luvas – Uma
história de Amor”). As luvas cirúrgicas
de látex ganharam notoriedade no século
XX, após a sua adoção pelos cirurgiões
da escola médica John Hopkins, que visava proteger
os pacientes das bactérias presentes nas mãos
sem luvas. Já a grande popularização
ocorreu com a preconização das “Precauções
Universais” (hoje chamadas de “Padrão”),
em 1988, em resposta ao surgimento da AIDS.
As luvas de látex
permanecem como o padrão ouro em relação
à barreira biológica e tem sido amplamente
utilizadas nos serviços de saúde. As luvas
alternativas, livres de látex, são indicadas
para aqueles que são alérgicos às
suas proteínas.
As luvas de procedimento
de látex são hoje o equipamento de proteção
individual mais utilizado pelos profissionais da saúde.
Esta é uma grande conquista em termos de proteção
aos profissionais e pacientes. Por outro lado a sua
popularização foi tão grande que
as luvas de procedimento de látex, vêm
sendo utilizadas inadequadamente, seja pela facilidade
de acesso, comodidade e falta de informação.
Os produtos possuem
o que chamamos de uso pretendido. Significa que aquele
produto foi produzido e testado para uma determinada
finalidade. Tomemos como exemplo uma luva de procedimento,
comparando com uma luva cirúrgica. Embora ambas
sejam utilizadas em serviços de saúde,
e ainda que haja a possibilidade da luva de procedimento
ser vendida estéril, ela não deverá
ser utilizada em cirurgias. Os dois tipos de luvas passam
por controle de qualidade, porém com exigências
diferentes, sendo mais rigorosas para as luvas cirúrgicas.
Por quê então não fazer as mesmas
exigências e desta forma diminuir o risco? É
uma questão de custo benefício, por este
motivo as luvas de procedimento custam menos que as
cirúrgicas.
Muitos profissionais
desconhecem estas diferenças e utilizam suas
luvas de modo incorreto.
Abaixo situações
freqüentemente encontradas na utilização
equivocada de luvas de procedimento:
| Luvas de
procedimento - Incorreto |
Luvas
Indicadas |
| Cirurgias |
Luvas cirúrgicas |
| Lavagem de instrumentais contaminados |
Luvas de látex grossas para
limpeza |
| Limpeza do ambiente em serviços
de saúde |
Luvas de látex grossas para
limpeza |
| Manuseio de quimioterápicos |
Luvas para proteção
de quimioterápicos |
| Proteção contra radiação
ionizante |
Luvas para proteção
de radiação ionizante |
Existem luvas fabricadas
especificamente para proteger os profissionais durantes
estas atividades.
Da mesma forma, podemos
citar o uso pretendido em relação às
substâncias químicas que são registradas
no Ministério da Saúde com finalidades
específicas, ainda que o princípio ativo
seja o mesmo. Por exemplo, o hipoclorito de sódio
(água sanitária), para uso doméstico,
possui um registro no Ministério da Saúde
e só pode ser utilizado para este fim, não
podendo ser utilizado na desinfecção de
ambientes hospitalares, nem na desinfecção
de canais dentários em Endodontia, mesmo que
seja diluído nas concentrações
indicadas para cada caso.
Verifique o rótulo
do produto, confira o uso pretendido e o registro no
órgão competente, e no caso de substância
química qual o equipamento de proteção
adequado. Se restar alguma dúvida , entre em
contato como fabricante ou distribuidor.
Aguarde, em breve
traremos matéria sobre atividade de substâncias
típicas da atividade dos dentistas que podem
danificar as luvas e comprometer a sua barreira biológica.
Bibliografia:
www.anvisa.gov.br
ABNT-NBR 13391 - Luva cirúrgica.1995
ABNT-NBR 13392 - Luvas para Procedimentos não-cirúrgicos.1995
Ferraz, F.C.; Feitoza,A. C. “Técnicas de
Segurança em Laboratórios- Regras e práticas”
Hemmus 2004.
Long, O.E. “Trend of Glove Usage in Occupational
settings”- Malasyan Rubber Export Promotion Cuncil-
Presented in International Rubber Glove Conference 2004.
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